16 11 / 2011
Golden Strike #2
- Butterfly! – Ouço meu nome sendo dito em alto e bom tom. Talvez eu estivesse bêbada demais, ou talvez alguém estivesse realmente do meu lado querendo a minha atenção. Olho para todos os lados, e finalmente percebo que era Lily com um sorriso estúpido no seu rosto de loira de farmácia. Lily já foi considerada a garota mais feia da escola, hoje em dia é considerada junto comigo, uma das mais lindas dos lugares que freqüentamos. Dizem as más línguas, que estou a frente.
- O que houve Lily? – Não disfarcei o tédio na voz, e nem ao menos me esforcei para continuar olhando seu rosto.
- Você sozinha? Como assim? Hoje está cheio! Onde está o Jozé? - Deixo o copo de marguerita cair propositalmente e finjo que preciso ir ao banheiro, acho que estou com ressaca acumulada, ou talvez Lily simplesmente seja realmente loira genéticamente. Que tipo de pergunta é essa a se fazer? – Butterfly?
Ouço Lily gritando meu nome em meio a multidão, mas o som perdeu-se na música que tocava alto pela boate inteira. Eu precisava ir para casa. A verdade era sempre essa: Eu ir para casa. A minha verdade é um problema… Visto que: Eu não suporto ficar em casa sem nada para fazer. Porém, eu não suporto ficar aqui, sem nada para se fazer, já que tudo foi feito antes, então vivo em um eterno ciclo… E esse pensamento me dá vontade de vomitar. Prefiro fingir que não sei de nada. O niilismo me poupa dessa imbecilidade toda, como tédio, problemas em casa, Jozé saindo com outras putas, e sobre como engordei 1Kg essa semana, dá pra acreditar? Obrigada Lily, você só deu mais corda para a onça que já estava enfurecida e faminta.
Entro no banheiro, não faço questão de bater na porta. Uma garota chora no canto, sentada no seu vestido. Desconfio que era Prada. Coitada… Algo realmente ruim deve ter acontecido para um vestido Prada estar servindo de pano de chão.
- Hey, você!
Ela realmente falou comigo?
- Você dos cabelos vermelhos…
Sim, o lance era comigo.
- Oi?
- Tem pó?
- Olha aqui menina, eu tenho cara de ‘dealer’? Se eu quero pó, ligo pro meu ‘dealer’, e se você quer pó, não será do meu. Sacou?
- Eu perdi… – ela queria dizer algo, mas chorava soluçando, e eu estava irritada por não conseguir entender direito o que ela estava dizendo. Sua maquiagem estava toda borrada, seu cabelo loiro bagunçado, e quando vi seus olhos percebi que ela deveria ser menor de idade. ID falsa, já passei por isso. Mas o que diabos essa criancinha está tentando me dizer?
- O que você perdeu? –Agilizar, agilizar.
- Meu bebê…
Quando me dei conta, o vestido Prada estava manchado de sangue, dei um pulo para ver se não tinha manchado meu vestido. Essa garota é das minhas, agora podemos conversar.
- Como? Cheirou demais?
- Eu não sei… – ela limpa o rosto, borrando mais ainda a maquiagem. – Eu simplesmente comecei a sangrar… E eu ia ter o filho. Não conta pra ninguém, tenho dezesseis anos.
- Não conta pra ninguém, eu já sabia disso.
Consegui acalmar a garotinha e fiz algo inesperado para quem me conhece: Levei a fulana pra minha casa.
16 11 / 2011
Antes dançava. Dançava mesmo que estivesse rodeada de pessoas. Uma ciranda que girava em torno dela mesma. Seus longos cabelos negros voavam ao vento, e manchavam o céu… Seus olhos também já foram mais doces, e suas palavras mais suaves. O problema foi a vida. Em um ano viveu mais de mil, e embruteceu. Feito pedra, parou de dançar, parou de cirandar, seus cabelos não voam mais ao vento, e muito menos mancham o céu. Seus olhos criaram uma capa opaca, e suas palavras uma pitada de sal.
14 11 / 2011
Me encontre, me dê a mão, me ensine a sorrir. Me ensine a andar em um caminho que não seja de pedras, me ajude a não tocar nos espinhos da rosa, me faça enxergar tal beleza. Seja um amor perfeito, mostre-me como pode ser duradouro. Diga que me amas, porém me convença disso. Cuide de mim como se fosse feita de porcelana chinesa. Toque como se minha pele fosse de seda. Sorria para meu sorriso, mostre-me um caminho. Queira me olhar, mais do que me tocar. Acenda a luz, esqueça sua escova de dentes, deixe algumas camisetas. Mostre que queres ficar, deixe as cortinas bem abertas, deixe-me ver a luz.
14 11 / 2011
Bárbara
Apenas vê-la não fartava meus sonhos mortais, precisava de mais. Precisava tocá-la, senti-la, tê-la em meus braços sussurrando palavras de amor eterno. A forma como se punha a dançar segurando as anáguas do longo vestido lhe davam um ar de cigana esbelta. Haveria no céu, algum anjo disposto a negar tal beleza? Não, meus amigos. Ninguém tinha tamanha petulância. É claro que existiam as invejosas, cuja beleza não reinava nem em um fio de cabelo. Precisavam dizer como Bárbara era uma moça afoita demais, cercada por um balsamo de lasciva. Não nego que as palavras ‘afoita’ e ‘lasciva’ não combinem com Bárbara. Combinam até demais, mas esse não é o tipo de cousa a se falar de uma jovem. Pois tenho certeza no sentindo amplo da palavra, que Bárbara habitava os sonhos libidinosos de todo o homem que a via dançar na beira do lago, ou até mesmo pelo cemitério do centro. Sua voz era suave, sem tons agudos. Os olhos espelhavam o encontro do Sol com a grama de um campo. Tudo em Bárbara o faria lhe sentir confortável.
Talvez esse seria seu pecado.
14 11 / 2011
De livro em livro
“Procura-se amor” - Ousado é aquele que pensa que amores vem como noticias de jornal. Pendurado na banca, para qualquer um passar e ler. Amor é um livro íntimo, daqueles escondidos na livraria. Dizem que é best seller, mas mesmo assim nunca está na vitrine de ‘mais vendidos’, não adianta ir nessa direção. Não é lá que estará seu amor. O amor está no canto, à esquerda… Nunca procure à sua direita. Está sempre inusitado, escondido em algum lugar que depois de perceber você pode até se permitir pensar: “nossa, estava debaixo do meu nariz!”. Mas por enquanto você não faz idéia. Paixão sim você encontra na sessão de mais vendidos… E eu não agüento mais me perder por essa sessão. Agora estou parada, em frente a uma estante escondida da livraria, poucos passam por alí… Os livros são coloridos… Mas tem um que chamou minha atenção. Tem um que berra para que eu leia suas páginas. Não sei se devo abrir este livro intrigante que tem habitado meus sonhos e pensamentos… Saber que esse livro passou por outras mãos me desanima. Gostaria de ser a primeira a ler suas linhas. E quem sabe até mesmo ajudar a preenchê-las.
14 11 / 2011
O chá
- Nunca vi tamanha tristeza… - Ela traga o cigarro. - O que leva à morte senão a vontade de continuar a vida? Sempre que você vai num enterro pensa que tem que viver mais intensamente, que a vida é curta… – ela seca as lagrimas – não repara, quando fico nesse estado, só falo baboseiras.
- Tudo bem.
- Arrancaram um pedaço de mim, e não tem nada que consiga devolver isso… Nada… Bebida? Não… Sexo? Não. Amor? Nem amor… Eu pensei que amor ia ajudar… Ajuda um bocado… Mas não preenche o grande pedaço que tiraram… Coisa de mulher.
- Eu sinto muito.
- O pior é imaginar como seria… Isso acaba comigo. Esse tipo de morte é a mais violenta. Deus me mandou pro céu, viu que eu gostei, e me tirou de la. To no inferno de novo.
- Não dá pra sair dele?
- Não. Só dá pra fingir que nada disso é real.
13 11 / 2011
Carta Primeira / Pink Flamingo Motel #Memoirs de Lancey K.
É platônico.
Não que tenha sido difícil chegar a tal conclusão. Eu apenas esperava palavras mais doces, contudo com uma sutil brutalidade sexual - confesso. Mas não. É claro que não. Um rapaz como ele não chegaria com a boca repleta de baratas e sim plantando aqui e ali um afeto tímido. E mesmo tendo total certeza ainda me pego pensando no porquê de tal negação, de tal platonismo com meus sentimentos um tanto quanto estranhos perante ele. Não o conheço como gostaria, e sequer tento como deveria. Bom, ao menos como costumo fazer.
O que me torna um pouco atônita com essa situação foi perceber que na verdade o admiro mais do que qualquer outra coisa. O admiro e o desejo. Isso rende uma paixão extremamente perigosa. Poucas são as vezes que se encontra uma representação próxima a mais fiel do homem que você sempre prezou. E enquanto me afundo em fumaças repletas de nicotina e esbanjo meu jeito efusivo de ser, não consigo parar de pensar no porquê de tal falha em nossas linhas de vida, se é que essa é uma explicação plausível. Mas quem quer algo plausível num momento de frustração? Religião está aí para isso.
Lancey K.
10 11 / 2011
Golden Strike #1
Acendo a porra do cigarro com as mãos tremendo, o ódio que me consome consegue ser igual ao efeito de cocaína, me deixa ligada, paranóica e com vontade de socar a cara de qualquer sujeitinho que ousa me dar um ‘oi’. Mas pelo visto, seria mais fácil se eu colocasse uma placa sobre a minha cabeça sinalizando ‘perigo’, porque um sujeitinho ousou falar comigo. Não fiz questão de entender, só ouvi um ‘princesa’, e eu odeio quando me chamam de ‘princesa’, é o mesmo que pedir meu total desprezo, e em meio às luzes piscando aquele sujeitinho cujo rosto nunca vou saber, e por quoi non, nunca farei questão de saber, agora além de ter o meu desprezo, tem o meu ódio. Eu disse que estava com raiva porra.
Lily está sentada no colo de Pietro, os dois já estão doidões. A noite estava boa pelo menos para alguém, avisto Jozé passar com uma puta qualquer no meio da multidão, meu coração aperta, mas não irei dar o braço a torcer. Aquela é só mais uma puta para ele…Só mais uma puta assim como Joanne foi e assim como eu fui. Jozé não muda, nunca vai mudar e eu preciso aceitar esse fato. Foda-se. O barman traz meu Sex on the Beatch, estava demorando. Ele me olha com um riso enfadonho, e sinto vontade de cuspir na cara dele. Só não o faço, pois ele sempre me serve bem.
Para deixar as coisas bem claras, meu nome é Abigail Naëve, nome ridículo de se ter. Então todos me chamam de Butterfly porque tenho uma borboleta púrpura tatuada na coxa. Como todos sabem disso? Eu já dei para metade dos sujeitos que estão nesta boate. Confesso que já tive vergonha de pensar nisso. Mas atualmente, o melhor a se fazer é ligar o foda-se, beber o Sex on the Beatch, dizer ‘fundo blanco’, e continuar dançando. Minha vida se resume a finais de semana em casas de praia, para queimar a minha pele branca como leite ao lado de uma piscina privê, e nos dias de semana encher a cara, ignorando a faculdade no dia seguinte. O que significa que, minha profissão pode ser Universitária Porra Louca. Se ao menos eu ganhasse dinheiro com isso… Mas não tem importância, papai pode bancar minhas loucuras, e mamãe pode ignorá-las. Eles dois sempre souberam que eu não seria santa como Abigail, o nome foi apenas um disfarce para o que já estava premeditado. A minha vida é uma garrafa interminável de *Golden Strike…
10 11 / 2011
Só de teimosia
Era simplesmente assim. Uma boca, um corpo, uma carne, um osso, lábios finos de jovem moço, mãos fortes de homem formado e corpo robusto se misturando em atrito, em um ato erótico, em um filme proibido para menores. Minha vida.
E sempre era assim. Simplesmente assim. Para não ser diferente, só de teimosia mesmo.
Insistia nos pretendentes pendentes em outros relacionamentos. Aqueles enrolados com mulheres alheias, e mais belas porque não? Não me julgo a mais bonita, me julgo apenas mulher. E ser mulher já é ser bela. Só não são belas, aquelas que esquecem que são mulheres. Acredite meu caro, é verdade. Mas como ia dizendo sobre o simplesmente assim, escolhia os caras errados, que me pegavam forte e me tacavam na parede, da boate, do bar, do boteco, da esquina, do beco sem saída, na areia, no mar, na piscina, tanto faz. Escolhia o errado só pra me ver fodida, literalmente, ou conotativamente. Depende de como você vê uma relação de amor e ódio pela própria existência. Mas dava umas trepadas legais, e banais, tanto faz. Simplesmente assim.
E nesse tanto faz que levei a vida, uma vez encontrei um certo cara errado, e agente se perdeu na parede da boate, na mistura da boca, do corpo, da carne do osso, dos lábios finos de jovem moço e mãos fortes de homem formado, corpo robusto se misturando em atrito com meu corpo, um ato erótico, filme proibido para menores. E esse certo cara errado não tinha relacionamento pendente, simplesmente pendia em todos os relacionamentos anteriores, era de todas. Se dizia de todas. E eu como falsa boa moça, acreditei. De boa moça não tinha nada, mas acreditei. E suspirei, e gostei. Gostei daquela mão e daquele atrito, a troca de energia, o filme proibido, as cenas censuradas, as noites mal dormidas onde me perdia no meio daqueles lençóis do homem feito, mesmo que jovem. Simplesmente assim. Teimei em gostar dele, e não é que apaixonei?
Pelo certo cara errado que tinha aquela mão o dobro da minha, do tipo que gosto. E sabia falar palavras bonitas, e eu gostava de ouvir. Não é que o certo cara errado era poeta? E eu insistia em me manter na linha, só pra poder um dia parar de fingir que sou boa moça e poder parar de teimar em procurar caras errados em lugares onde tudo é feito de açúcar e ninguém é de ninguém. Acabou que eu quis ser dele. O certo cara errado desapareceu do nada, e eu fiquei um pouco desolada sentido o cheiro daquele suor no meu corpo mesmo que banhado, o cheiro dele de homem sempre ficava. E sentindo falta dos lençóis com cheiro de perfume de varias mulheres misturadas às essências do corpo dele. Senti falta da sua mão que apertava meus seios com força e meus cabelos também. Senti falta, e falta, e senti falta de sentir ele dentro de mim.
E de tanto sentir falta, fui procurar o certo cara errado naquela mesma boate outra vez.
Busquei pelo seu beijo, nas bocas de outros caras errados. Busquei pelas suas mãos trançando minhas mãos em mãos erradas. Enrosquei minhas pernas nas de qualquer homem que passava, eram homens, poderia ser ele. O certo cara errado.
Mas o certo cara errado, era simplesmente o errado cara certo. Teimei em achar que era errado, e teimei em não levar a sério. Pois é rapaz… E aí, eu e minha teimosia que sempre me tornou um pouco essa pessoa fria, teimei em fazer da minha vida tudo o que era antes. Simplesmente assim… Uma boca, um corpo, uma carne, um osso, lábios finos de jovem moço, mãos fortes de homem formado e corpo robusto se misturando em atrito, em um ato erótico, em um filme proibido para menores. Minha vida em busca do certo cara errado. Ou errado cara certo. Uma trepada legal, banal, tanto faz. Tanto fez, só sei que queria tudo aquilo outra vez, aqueles lençóis com perfumes misturados e essência de homem e por aí vai. Só de teimosia mesmo.
10 11 / 2011
Crônicas de Vicky
I
O som abafado do banheiro da boate me irritava. Não era a primeira vez que cometia o mesmo erro em ir para uma boate em Copacabana, onde só se ouve lixo. Sinto falta do bom e velho Rock ‘n Roll, aquele que já vem embrulhado num pacote negro escrito “Live fast, die young” em letras garrafais vermelhas, junto com um cartão que está escrito em minúsculas letras: “Faça bom proveito”.
Não que precise de cartão, ou de embrulho chamativo. Mas é disso que sinto falta. Ou talvez esteja apenas falando asneiras… Visto que, estou procurando alguém nesta merda que tenha um cigarro de verdade. É impossível não ter mais uma pessoa fumando Marlboro vermelho nesta espelunca. Estou maneirando meu vocabulário. Maneirar, maneirar… Mas que se foda… Eu preciso de um cigarro decente. Estou num ponto tão deplorável que neguei até farinha!
II
Caminho pelos cantos da boate e encontro uma garota que conheço de vista pagando prum cara. Meus pensamentos não conseguiam se desviar de “Eu sabia que ela tinha cara de boqueteira!”, minha amiga morreria de tanto rir com tal informação. Mas parecia que hoje a noite era para as putas. Todas essas vadiazinhas que ouvem esse lixo eletrônico, e ficam dançando uma dança de mãos, fazendo uma espécie de círculo, e os caras aproveitam. Claro que as vadiazinhas estão chapadas de bala, assim dão pra qualquer um. Neste tipo de lugar é muito fácil ser cool. É só se fingir de idiota, tomar bala, e dar gritinhos dizendo que conhece todas as músicas, mesmo percebendo que todas as músicas tem exatamente a mesma batida. Que seja…
III
Desistindo da minha busca desenfreada a porra do cigarro Marlboro vermelho, de preferência Box, avisto meu salvador. Corri em direção a ele, mas meu salto não ajudava e tive de me segurar no corrimão que havia nas pontas da enorme pista de dança. “Sapato escroto!”. Eu ia conseguir, “eu vou conseguir”, dizia a mim mesma enquanto escorregava levemente. Ao chegar no canto onde o meu salvador se encontrara, estavam as portas do banheiro.
De volta ao inicio.
IV
O som abafado do banheiro da boate me irritava e continua me irritando. Nunca mais venho para esta merda de boate ouvir esse lixo. Sinto falta do bom e velho Rock ‘n Roll… Mas para a minha surpresa era hora dos hits antigos.
Começou a tocar Joy Division, e eu cantava “Love will tear us apart” de olhos fechados, reparando como a letra dessa música é irônica, eu começava finalmente a relaxar.
O meu salvador está sentado ao meu lado, ele também canta, mas procurando o Box de Marlboro nos seus bolsos. Ele faz meu tipo. E eu faço o tipo dele. Sinto que nós nos veríamos no café da manhã, mas enquanto isso, eu mexia as pernas ansiosas, precisava de um cigarro. Um marlboro.
- Putz, só tenho mais um.
V
Meu ânimo foi para os ares… Tirei a merda do sapato que estava me incomodando, levantei da porra da escada do banheiro, liguei o foda-se pra maneirar no meu vocabulário e me dirigi à saída. “Lugar de Merda”, saí gritando tais palavras como se fosse um rosnado.
Todas as bancas de jornal estavam fechadas, e eu carregava meus sapatos com as mãos, e minha mini bolsa na outra. Ouço passos que correm atrás de mim, e é meu ex salvador, que abandonou sua parceira tão fiel a cada momento no ultimo segundo.
- Vem, divide esse cigarro comigo.
É, eu sabia que iria vê-lo no café da manhã.